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By Rodrigo Portaro

04/04/2021 - 23:42

Por quê você gosta dos vilões?

Se você entrou nesse artigo, algo sombrio mora dentro de você. 👹
Quem diria que você um dia sentiria empatia por pessoas que matam, roubam, traficam ou torturam? Pareceria impossível se não estivéssemos falando de ficção, certo? Mas não é. 
Aprender sobre o que nos faz empatizar por vilões, ou por personagens maus, nos fará entender como engajar qualquer pessoa com nossas comunicações. Se funcionam até para situações que pareciam impossíveis, por que não funcionará para situações "normais"de temperatura e pressão?

Que tipo de ser humano é você? 🤣

Que tipo de pessoa gosta de vilões ou vilãs? Nem precisa ser antagonista, pode ser o(a) protagonista, mesmo. Mas se ele mata, trafica, tortura, promove guerras, se ele é sádico, imprevisível, maléfico... tanto faz! Você ama! 

Não é preciso negar.

Aqui ninguém aqui vai te julgar. 
Quem não gostou do vilão mais popular dos últimos tempos, o Coringa? Tanto o interpretado pelo Heath Ledger, ou interpretado pelo Joaquim Phoenix?
Joker (Joaquim Phoenix) e Joker (Heath Ledger) Open Gallery
Quem não se sentiu empolgado com Mr. White em Breaking Bad, ou Frank Underwood em House of Cards?
Mr White (Breaking Bad) e Frank Underwood (House of Cards) Open Gallery
Quem não torceu pela Daenerys ou quem não se divertiu com a Alerquina?
Daenerys (Game of thrones) e Arlequina (Aves de Rapina) Open Gallery
Não necessariamente esses personagens são vilões, mas são personagens que, perante ao senso comum, seriam considerados loucos, assassinos, insanos, agentes do caos. 
Quais mais você se recorda?

Simpatia Vs Empatia 

Quando nós torcemos para um vilão, ou quando nos identificamos com um personagem mau por essência, não significa que somos simpáticos a ele/ela. Na verdade significa que somos EMPÁTICOS a ele/ela. 
Robert Mckee, deixa muito claro com suas palavras a diferença entre simpatia e empatia. Em inglês é simples de entender:
  • Simpatia: I like him/her (eu gosto dele/dela)
  • Empatia: I am like him/her (eu sou como ele/ela)
Você pode estar pensando agora:
"Ah, Rodrigo, nada a ver. Você está dizendo que eu sinto empatia pelo Mr White, pelo Coringa, pelo Frank Underwood, dizendo que eu sou como eles? Eu não sou como eles. Eu jamais faria o que eles fizeram."
Talvez não. Mas talvez sim. O que eu espero e que o mundo espera é que não. 
Na superfície, somos nitidamente diferentes. Até por que nosso contexto de vida e nossa realidade é muito diferente do contexto e realidade dos personagens. Mas acontece que profundamente, nós somos todos iguais. 
We are all the same (somos todos iguais)
Essa é uma premissa muito trabalhada por um mestre de storytelling chamado Brian McDonald, que escreveu o livro "The Golden Theme":
"Se todos os mortos levantassem das suas tumbas, o que eles diriam para nós?"
Eles não diriam "Carpe Diem", nem diriam "Viva cada dia como se fosse o único". Eles diriam:
"We are all the same. "
Brian McDonald

VALORES UNIVERSAIS

O que comprova que somos todos iguais é o fato irrefutável de que existem valores universais intrínsecos em qualquer ser humano vivo. Valores universais são valores que todos os seres humanos compartilham. Vejam alguns exemplos. Todos nós queremos: 
  • Ser amados pelo próximo
  • Ser Reconhecidos pelo que fazemos e quem somos
  • Pertencer a um grupo de pessoas
  • Conquistar algo ou alguém
  • Buscar significado para nossa vida
  • Viver felizes
  • Estar na presença da Verdade
  • Estar na presença da Justiça
  • Entre outros
Em outras palavras, nós buscamos caminhos completamente diferentes, mas o que nos preenche e o que buscamos de nossas vidas são sempre as mesmas coisas. 
E não é diferente com os personagens que citamos acima. 
Nós nos identificamos ou, em outras palavras, nos empatizamos pelo Coringa de Joaquim Phoenix, não por que ele matou jovens no metrô de NY, ou por que matou um apresentador de TV ao vivo. 
Nós nos empatizamos com o Joker quando percebemos como é viver a vida que ele vive: invisível para qualquer pessoa da sociedade, insignificante para qualquer pessoa no mundo, abandonado por toda e qualquer pessoa que ele conhece. 
Viver o que ele viveu, talvez justifiquem ele ter feito o que fez. Não quer dizer que concordamos com ele, mas nós o entendemos. Nós sentimos o que ele sente, e o sentimento nos revela muito sobre quem ele é.
O que nos faz identificar com ele, é diferente do que nos faz identificar com o outro joker de Heath Ledger. 
Nós nos empatizamos com ele pois ele tem aflorado um senso de justiça e honestidade. Ele gera um caos na cidade, apenas colocando os hipócritas e mentirosos uns contra os outros, incluindo o Batman. Por mais que ele seja mau, ele revela a verdadeira face de Gotham. É claro que o jeito debochado e cínico ajuda a conquistar a simpatia do público, mas o que nos faz empatizar é a justiça e honestidade.
Assim como eles, nós gostamos de Don Corleone pois ele é Leal a família. Gostamos de Mr White pois ele busca viver uma vida com significado, onde ele se sinta vivo. Assim como gostamos de Daenerys pois ela busca justiça para os povos ao redor do mundo (e não dar essa justiça quando ela pôde, no último episódio, fez o público odiar o final de GOT).  

VALORES UNIVERSAIS PARA TODOS

Portanto, no seu dia a dia, no mundo real, entender quais são os valores universais da sua história, te ajudará a gerar empatia entre sua audiência e seu/sua protagonista. Como fazer isso? Vamos para um exemplo:
Vamos dizer que o contexto seja o seguinte: uma reunião para apresentar resultados negativos de vendas da sua empresa para a diretoria.
Defina quem é o protagonista da história: vamos assumir que os clientes da sua empresa sejam os protaognistas.
Aprofunde no seu protagonista  e identifique o valor universal: Como é a vida dos seus clientes? O que eles desejam? Por que eles desejam o que eles desejam? Como você o ajuda a atingir seus desejos? Quais são as consequências se ele conseguir ou não conseguir? O que está em risco? Quais são os valores? 
Crie uma história que coloque o valor universal em risco: Comece sua história apresentando seu personagem de forma com quem a audiência comece a entender quem ele é e deixe claro qual valor está em risco especificamente, de maneira profunda, para que a audiência queira saber como o.a protagonista sairá do risco.
Quer aprender como criar bons começos de história? Leia este artigo.
Quer aprender mais sobre como criar histórias? Leia este artigo.
Quer aprender mais sobre storytelling, acesse meu canal na Pingback: https://academiadatrama.pingback.com/
To be continued...
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Rodrigo Portaro | sócio fundador da Academia da Trama, Professor de Storytelling e Gamefication da PUC-RS online e Sócio Conselheiro da The Plot Company, do Master Talks e da High.